domingo, 18 de dezembro de 2011

Prémio Pessoa 2011 - Eduardo Lourenço

Eduardo Lourenço distinguido com o Prémio Pessoa 2011

Eduardo Lourenço distinguido com o Prémio Pessoa 2011

2011-12-16
O ensaísta e filósofo Eduardo Lourenço foi distinguido com o Prémio Pessoa 2011, anunciou hoje o presidente do júri, Francisco Pinto Balsemão, no Palácio de Seteais, em Sintra.
Uma das razões da escolha do júri foi a recente reedição, pela Fundação Caloustre Gulbenkian, da obra completa de Eduardo Lourenço, num total de 38 volumes de ensaios político filosóficos escritos entre os anos de 1945 e 2010.
Nascido em 1923 em São Pedro do Rio Seco, no distrito da Guarda, partiu para França em 1949, onde se encontra radicado até hoje, mas manteve sempre uma forte ligação a Portugal, escrevendo várias obras sobre a sociedade portuguesa.
Escreve o júri que "Eduardo Lourenço é um português de que os portugueses se podem e devem orgulhar. O espírito de Eduardo Lourenço foi sempre reforçado pela sua cidadania atenta e atuante. Portugal precisa de vozes como esta. E de obras como esta", pode ler-se na ata da reunião.
Este ano na sua 25ª edição, o Prémio Pessoa, no valor de 60 mil euros, é uma iniciativa do jornal Expresso com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos, e destina-se a reconhecer pessoas de nacionalidade portuguesa que protagonizaram uma intervenção relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país. 
júri do Prémio Pessoa 2011 é constituído por: Francisco Pinto Balsemão (Presidente); Fernando Faria de Oliveira (Vice-Presidente); António Barreto; Clara Ferreira Alves; Diogo Lucena; João Lobo Antunes; José Luís Porfírio; Maria de Sousa; Mário Soares; Miguel Veiga; Rui Magalhães Baião.
Lista de todos os premiados desde a primeira edição, em 1987:


1987 - José Mattoso

1988 - António Ramos Rosa

1989 - Maria João Pires

1990 - Menez

1991 - Cláudio Torres

1992 - António e Hanna Damásio

1993 - Fernando Gil

1994 - Herberto Helder

1995 - Vasco Graça Moura

1996 - João Lobo Antunes

1997 - José Cardoso Pires

1998 - Eduardo Souto Moura

1999 - Manuel Alegre e José Manuel Rodrigues

2000 - Emanuel Nunes

2001 - João Bénard da Costa

2002 - Manuel Sobrinho Simões

2003 - José Joaquim Gomes Canotilho

2004 - Mário Cláudio

2005 - Luís Miguel Cintra

2006 - António Câmara

2007 - Irene Flunser Pimentel

2008 - João Luís Carrilho da Graça

2009 - D. Manuel Clemente

2010 - Maria do Carmo Fonseca

2011 - Eduardo Lourenço

[Infromações retiradas daqui:  http://livros.sapo.pt/noticias/artigo/104353.html  ]

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

domingo, 27 de novembro de 2011

FADO - Património Imaterial da Humanidade.

Amália cantou poemas de poetas portugueses e assim os divulgou: Camões, David Mourão-Ferreira, Pedro Homem de Mello e este de Alexandre O'Neill.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

CANTIGAS SATÍRICAS


A nível da temática nacional poderemos destacar:
                   
                   - decadência do Clero;
                  - traição dos cavaleiros (muitas cantigas satíricas fizeram o comentário indignado ou humorístico à traição dos cavaleiros na guerra que opôs os cristãos aos muçulmanos que serviram os reis de Granada. Em 1264 os muçulmanos desde Cádis e Xerez até Múrcia revoltaram - se contra os cristãos. A insurreição era para temer, pois que de África tinham vindo fortes contingentes de tropa em auxílio dos rebeldes. Os cristãos temiam sobretudo os ginetes, cavaleiros oriundos do deserto, cuja mobilização e audácia deixaram de resto um eco na linguagem popular.
  O rei Afonso X, homem de grande cultura, mas de fraco poder combativo, pediu ajuda aos nobres para a contenção da rebelião. Porém, muitos ricos - homens e infanções, em vez de o ajudarem com os seus cavaleiros, faltaram ao seu dever de vassalos. Não admira, pois, que o rei se sentisse traído. Ele próprio e outros trovadores dirigiram violentos sirventeses contra os traidores. Também não admira que os muçulmanos tenham derrotado os cristãos.
                  - decadência da fidalguia ( a fidalguia ao abrigo dos seus forais, que lhes garantiam as liberdades protegidos pelos reis, buscavam abater a Nobreza de sangue, os centros de vida  burguesa prosperavam enquanto as classes privilegiadas, os infanções e até ricos homens, vegetavam, necessitando de acostar - se à munificência régia e até mesmo à generosidade dos municípios. Os infanções são os mais atingidos. O exemplo mais acabado é o do cavaleiro famélico cujas refeições demasiado frugais ou até inexistentes revelam à evidência a grave crise económica por que passavam as classes nobres. Gil Vicente, no séc. XVI, tratará ainda, de forma penetrante, o escudeiro faminto, mas gabarola que só sai de noite a fazer serenatas, para não ser vista a sua roupa rota e velha, mas mesmo assim mantendo criados ao seu serviço, na tentativa de aliciar raparigas com algumas posses para, casando com elas, sobreviver ("Foi um dia Lopo jograr").
          - entrega dos castelos ao conde de Bolonha (estas sátiras referem- se à traição dos alcaides que, apesar da fidelidade jurada ao rei D. Sancho II durante a guerra civil que o opôs ao irmão, futuro D. Afonso III, entregaram os castelos ao Bolonhês.
          - a polémica entre trovadores fidalgos e jograis;
          - ridicularização do amor cortês ("Ai ! Dona fea, foste- vos queixar"-  Joan Garcia de Guilhade);
          - escândalos sociais;
          - desconcerto do mundo ( reflexão crítica, penetrada de amargura, suscitada pela decadência de costumes, o que se traduz numa visão pessimista e desencantada : é o tema do "mundo às avessas", em que a mudança é sempre interpretada para pior:( "Vejo eu as gentes andar revolvendo" - Pero Mafaldo;  "Amigos, cui'eu que Nostro Senhor" - Martim Moia).

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Direi-vos que mi aveo, mia senhor,
i logo quando m'eu de vós quitei:
houve por vós, fremosa mia senhor,
a morrer; e morrera... mais cuidei
     que nunca vos veeria des i
     se morress'... e por esto nom morri. 

Cuidand'em quanto vos Deus fez de bem
em parecer e em mui bem falar
,morrera eu; mais polo mui gram bem
que vos quero, mais me fez Deus cuidar 
     que nunca vos veeria des i 
     se morress'... e por esto nom morri.

Cuidand'em vosso mui bom parecer
houv'a morrer, assi Deus me perdom,
e polo vosso mui bom parecer
morrera eu; mais acordei-m'entom 
     que nunca vos veeria des i 
     se morress'... e por esto nom morri. 

Cuidand'em vós houv'a morrer assi!
E cuidand'em vós, senhor, guareci!

Rui Queimado

A dona que eu amo ...

A dona que eu am'e tenho por senhor
amostrade-mi-a, Deus, se vos en prazer for,
     senom dade-mi a morte.

A que tenh'eu por lume destes olhos meus
e por que choram sempr', amostrade-mi-a, Deus,
     senom dade-mi a morte.

Essa que vós fezestes melhor parecer
de quantas sei, ai, Deus!, fazede-mi-a veer,
     senom dade-mi a morte.

Ai Deus! que mi a fezestes mais ca mim amar,
mostrade-mi-a, u possa com ela falar,
     senom dade-mi a morte.

Bernal de Bonaval