Foi um dia de inúteis agonias.
Dia de sol, inundado de sol!...
Fulgiam nuas as espadas frias...
Dia de sol, inundado de sol!...
Foi um dia de falsas alegrias.
Dália a esfolhar-se – o seu mole sorriso...
Voltavam os ranchos das romarias.
Dália a esfolhar-se – o seu mole sorriso...
Dia impressível mais que os outros dias.
Tão lúcido... Tão pálido... Tão lúcido!...
Difuso de teoremas, de teorias...
O dia fútil mais que os outros dias!
Minuete de discretas ironias...
Tão lúcido... Tão pálido... Tão lúcido!...
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Lírica Medieval
Para quem tiver curiosidade em conhecer mais cantigas dos vários subgéneros, encontra aqui um grande número. Tem inclusivamente muitas cantigas musicadas
Cantigas de amor
Cantigas de amor
I. Temática
Têm como temática o amor, do mesmo modo que as cantigas de amigo, mas observa-se mais aristocracia no tom e na forma.
Têm como temática o amor, do mesmo modo que as cantigas de amigo, mas observa-se mais aristocracia no tom e na forma.
As cantigas de amor estruturam-se como declaração amorosa ou lamento perante a dama pela sua indiferença ou altivez.
A personagem protagonista é sempre a senhor, embora esta não seja sempre a destinatária da cantiga. A descrição da senhor é:
Psíquica, o trovador descreve especialmente as virtudes do seu
comportamento.
Física, que se realiza só de modo genérico. Ademais, não há referências ao tempo ou ao espaço já que é uma dama abstracta.
d) Tavani estabelece os seguintes campos semânticos:
- Elogio da dama: pode aparecer explícito ou implícito, mas é sempre positivo (frequentemente aparece como obra mestra de Deus).
- Amor do poeta: também pode aparecer explícito ou não e liga-se aos seguintes motivos:
Coita, sempre presente na lírica galego-portuguesa. Vê-se como um sentimento contraditório já que produz pesar, mas também certo prazer masoquista.
Desejo da morte por amor.
Reserva da dama: é sempre esquiva, tímida, discreta. Não se menciona o seu nome, pelo que isto também está relacionado com a mesura.
Não correspondência do amor: está ligada à coita e à sintomatologia que produz o distanciamento da dama (insónia, pranto, loucura...). Expressa-se por meio de fórmulas estereotipadas.
.
II. Causas da influência provençal na Península.
1. Os monges de Cluny - Antes ainda de Portugal se tomar independente estabeleceram-se na Península os monges de Cluny, sob cuja direcção espiritual ficaram no século XI quase todas as igrejas hispânicas. Obtiveram muito cedo forte ascendente na corte de Afonso VI de Leão e não resta dúvida de que deixaram por cá vestígios da sua passagem, pelo menos na arquitectura. Devem ter influído igualmente nas letras. Entre outros, celebrizaram-se em Portugal S. Geraldo e o seu biógrafo Fr. Bernardo.
2. As romagens aos santuários - O principal motivo das deslocações da gente medieval consistia nas peregrinações aos santuários. Por causa da devoção aos servos de Deus, mais do que por causa do comércio e das campanhas militares, é que as pessoas jornadeavam então de terra em terra, de nação em nação. Anualmente, os crentes da França, qual formigueiro nervoso, dirigiam-se a Santiago de Compostela; e os de cá empreendiam idênticas jornadas de fé às terras de além-Pirenéus, a Tours e sobretudo a Santa Maria de Rocamadour. As viagens duravam meses; pelo caminho, os romeiros cantavam as modas da sua terra; em frente dos templos, faziam-se representações teatrais e autênticos torneios poéticos. Desta maneira, as culturas iam-se disseminando ao longe e ao largo. É natural, por exemplo, que muitos trovadores gauleses tenham deliciado os aborígenes da Galiza com cantares provençais, alguns até cheios de sensualismo pagão, a contrastar com a penitência e santidade próprias dos bons romeiros.
2. Os guerreiros e colonos franceses - Os reis de Leão convidaram cavaleiros franceses para os ajudarem nas lutas contra os Mouros. O conde D. Henrique lá veio de além-Pirinéus e com ele muitos outros.
2. Os guerreiros e colonos franceses - Os reis de Leão convidaram cavaleiros franceses para os ajudarem nas lutas contra os Mouros. O conde D. Henrique lá veio de além-Pirinéus e com ele muitos outros.
Lisboa foi conquistada com o auxílio de cruzados nórdicos e da Gália. D. Afonso Henriques e sobretudo D. Sancho I, em reconhecimento de serviços prestados, distribuíram terras por muitos desses guerreiros, os quais por aqui espalharam os seus costumes e a sua cultura e civilização.
3. Contacto dos fidalgos portugueses com jograis da Provença – Descontentes com o
despotismo de D. Afonso II vários nobres portugueses abandonaram o país e foram acolher-se à corte de Afonso IX de Leão. Conhecemos o nome de alguns que lá se deixaram enredar pelo encanto das musas: D. Gil Sanches, D. Abril Peres, D. Garcia Mendes. Poetavam então nessa corte conhecidos trovadores franceses que os nossos procuravam imitar. Os contactos continuaram nos reinados de Fernando III e Afonso X.
4. O Bolonhês — D. Afonso III viveu em França durante doze anos. Quando veio sentar-se no trono de Portugal, fez-se acompanhar de mestres franceses, alguns dos quais educariam D. Dinis, futuro herdeiro da Coroa e, sem dúvida, o nosso mais prolífero trovador.
5. O comércio — No século XIII, os navios portugueses iam a França comprar panos; e navios franceses, nessa mesma época, entravam com frequência na barra do Douro. Os comerciantes e tripulantes lusos assimilavam e espalhavam depois a cultura estrangeira que, superior à portuguesa, os deslumbrava.
III. Onde se manifestou a influência provençal?
- Nos provençalismos. Deparamos a cada passo nos cancioneiros com vocábulos originários da Provença: sen (senso), cor (coração), prez (valia, preço), greu (difícil), mege (médico), maloutia (doença), solaz (prazer), fiz (certo), eire (ontem), etc.
- Na teoria do amor cortês. O amor provençal, chamado também amor cortês, é diferente do amor que se exprime nas cantigas de amigo. Este tem o casamento como fim último. Daí o verificar-se apenas entre rapariga e rapaz solteiros. Ao contrário, o amor cortês não tem como finalidade a união matrimonial dos apaixonados. Supõe mesmo a impossibilidade dessa união. É uma aspiração sem correspondência, que deve alimentar o estado de tensão que gera, a fim de se realizar plenamente e se perpetuar. Corteja-se a mulher casada e desta maneira, tal amor raras vezes passa de um fingimento intelectual. Essa mulher normalmente é uma «dona», senhora da corte e fidalga.
- Na descrição da natureza – é uma natureza estereotipada e convencional.
- Análise introspectiva – Nestas cantigas são analisados alguns estados de alma que passam despercebidos à naturalidade das de amigo: o doce-amargo do amor, o querer e não querer da vontade, contradições dos namorados, …
IV. CARACTERÍSTICAS GERAIS DAS «CANTIGAS DE AMOR»
1. Os sentimentos eróticos que exprimem são os de homem. Enquanto nas cantigas de amigo é a mulher que abre o seu coração, nestas é o namorado que desfia as «coitas» de amor. Sendo dialogadas, é o homem que fala em primeiro lugar.
2. Por influência do lirismo tradicional, algumas cantigas de amor estão dotadas de paralelismo imperfeito e semântico.
3. Possuem algumas um variado e complicado formalismo estilístico. Nas canções de mestria, esse formalismo (dobre, mozdobre, macho e fêmea) vai abrindo caminho para os malabarismos estilísticos afectados da poesia do Cancioneiro Geral e da dos períodos maneirista e barroco.
4. Estão repassadas de simbologia amorosa, bastante rica, por causa da teoria do amor cortês.
5. Há nas nossas cantigas de amor menos fingimento e por conseguinte maior sinceridade do que nas composições provençais.
6. Nota-se uma certa uniformidade na expressão e nos sentimentos, o que desanda inevitavelmente na monotonia temática.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Jacinto Lucas Pires no Café Concerto
"O escritor Jacinto Lucas Pires é o convidado que se segue na tertúlia literária Café Desconcerto que o TMG apresenta sexta-feira. A conversa, que andará à volta da vida e obra deste autor português de 37 anos, vai ser guiada por Américo Rodrigues, Director do TMG.
Jacinto Lucas Pires é licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa. Foi cronista de “A Capital”. É autor do blogue Chanatas. Tem publicados mais de uma dezena de livros pela editora Cotovia. Em Novembro de 2008 foi o vencedor do Prémio Europa - David Mourão-Ferreira, atribuído pela Universidade de Bari e pelo Instituto Camões. O seu último livro, de 2011, chama-se “O verdadeiro ator”.
A conversa está marcada para as 21h30 e tem entrada livre. "
Fonte: TMG
Nota: Sabiam que a família de Lucas Pires é oriunda de Vila Fernando (Guarda)?
Nota 2: Sabiam que o protagonista do último livro de Jacinto Lucas Pires se chama Américo e é um actor?
Nota 3: Sabiam que já passaram pelo ciclo "Café Desconcerto", escriores como Gonçalo M. Tavares, João Tordo, Rui Cardoso Martins, valter hugo mãe, entre outros?
[Texto e foto "roubados" de http://cafe-mondego.blogspot.com/2011/10/jacinto-lucas-pires-na-guarda.html]
Jacinto Lucas Pires é licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa. Foi cronista de “A Capital”. É autor do blogue Chanatas. Tem publicados mais de uma dezena de livros pela editora Cotovia. Em Novembro de 2008 foi o vencedor do Prémio Europa - David Mourão-Ferreira, atribuído pela Universidade de Bari e pelo Instituto Camões. O seu último livro, de 2011, chama-se “O verdadeiro ator”.
A conversa está marcada para as 21h30 e tem entrada livre. "
Fonte: TMG
Nota: Sabiam que a família de Lucas Pires é oriunda de Vila Fernando (Guarda)?
Nota 2: Sabiam que o protagonista do último livro de Jacinto Lucas Pires se chama Américo e é um actor?
Nota 3: Sabiam que já passaram pelo ciclo "Café Desconcerto", escriores como Gonçalo M. Tavares, João Tordo, Rui Cardoso Martins, valter hugo mãe, entre outros?
[Texto e foto "roubados" de http://cafe-mondego.blogspot.com/2011/10/jacinto-lucas-pires-na-guarda.html]
domingo, 16 de outubro de 2011
CESÁRIO VERDE
CESÁRIO VERDE
"A mim, o que me rodeia é que me preocupa"
C. Verde, Carta a Silva Pinto, 1875
I - Obra
Podemos falar de três fases na produção poética deste autor:
- a primeira situar-se-ia entre 1873 e 1874, englobando 15 poesias e caracteriza-se pelos floreados à maneira romântica |"Setentrional" |;
- a segunda fase, iniciada com "Esplêndida " em 1874, prolongar-se-ia até 1878; sofre a influência de Gomes Leal, deleita-se na recriação de paraísos artificiais |"Deslumbramentos"; "Débil" |;
- a partir de 1878, o poeta começa a "olhar" as coisas de outra forma e entra na fase propriamente realista, começa a observar a realidade poética que existe à sua volta e surgem as suas grandes produções:
"Num bairro moderno", "O Sentimento de um Ocidental",...
II - TEMÁTICA
a) A cidade: realidade objectiva e quotidiana
Cesário é o poeta da cidade: palpa-lhe as sensações, cheira-lhe os "perfumes", ausculta--lhe o ruído, vê as formas das coisas e das pessoas, saboreia-a e, acima de tudo, sente essa cidade duma maneira diferente. É, de facto, um citadino imiscuído na sua cidade.
b) A realidade da vida do campo
Porém o poeta, muitas vezes, não consegue esquecer a sua infância e volta ao campo porque ele afinal é um camponês que anda pela cidade "olhando para as casas como se olha para as árvores" (Alberto Caeiro)
c) A dignidade dos humildes e a sua dura sorte
Há uma preocupação em descrever, até ao pormenor, alguns tipos sociais do seu tempo, uma preocupação com aqueles que sofrem (como ele) os efeitos duma cidade foco de infecções, desgraças,...
"A mim, o que me rodeia é que me preocupa"
C. Verde, Carta a Silva Pinto, 1875
I - Obra
Podemos falar de três fases na produção poética deste autor:
- a primeira situar-se-ia entre 1873 e 1874, englobando 15 poesias e caracteriza-se pelos floreados à maneira romântica |"Setentrional" |;
- a segunda fase, iniciada com "Esplêndida " em 1874, prolongar-se-ia até 1878; sofre a influência de Gomes Leal, deleita-se na recriação de paraísos artificiais |"Deslumbramentos"; "Débil" |;
- a partir de 1878, o poeta começa a "olhar" as coisas de outra forma e entra na fase propriamente realista, começa a observar a realidade poética que existe à sua volta e surgem as suas grandes produções:
"Num bairro moderno", "O Sentimento de um Ocidental",...
II - TEMÁTICA
a) A cidade: realidade objectiva e quotidiana
Cesário é o poeta da cidade: palpa-lhe as sensações, cheira-lhe os "perfumes", ausculta--lhe o ruído, vê as formas das coisas e das pessoas, saboreia-a e, acima de tudo, sente essa cidade duma maneira diferente. É, de facto, um citadino imiscuído na sua cidade.
b) A realidade da vida do campo
Porém o poeta, muitas vezes, não consegue esquecer a sua infância e volta ao campo porque ele afinal é um camponês que anda pela cidade "olhando para as casas como se olha para as árvores" (Alberto Caeiro)
c) A dignidade dos humildes e a sua dura sorte
Há uma preocupação em descrever, até ao pormenor, alguns tipos sociais do seu tempo, uma preocupação com aqueles que sofrem (como ele) os efeitos duma cidade foco de infecções, desgraças,...
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